Prince e a proteção dos outros talentos.

No dia 21 de Abril de 2016 ocorreu a fatídica morte de Prince Rogers Nelson, o famoso Pop Star mundialmente conhecido como Prince. A carreira de Prince sempre foi na música e o mesmo era tido como um Pop Star, tendo ganho diversos prêmios, dentre os quais se destacam 7 Grammy Awards, 1 Golden Globe Awards e o Oscar de melhor música original, em 1985. Fenômeno do funk e do rhythm & blues aliados à outros estilos, Prince teve uma carreira fantástica e ganhou bastante dinheiro… como Pop Star da música!

Mas há um fato curioso na vida de Prince. Prince tinha muitos outros talentos, dentre os quais se destaca a expertise na guitarra. No meio musical existem inúmeros guitarristas que são mundialmente conhecidos exatamente por explorarem o talento no trato com a guitarra, independente da música em si mesma. Obviamente que as músicas desses guitarristas são maravilhosas, mas é importante observar que o que atrai o seu público é a virtude como instrumentistas guitarristas: há aqui um talento específico que os põe em evidência.

Prince era tão bom guitarrista que a Gibson, famosa fabricante de guitarras, publicou em seu blog uma matéria sobre o Prince, na qual aponta que o Eric Clapton, tido como um dos maiores guitarristas do mundo, afirmou que Prince era o maior guitarrista vivo. Observe que Clapton poderia ter citado outros grandes guitarristas, a exemplo de Steve Vai, Yngwie Malmsteen, etc, nomes conhecidos do mercado musical justamente por serem exímios guitarristas. Prince jamais ganhou fatia de mercado por ser exímio guitarrista. Tanto é assim, que o Portal R7, famosa página de variedades e notícias da internet brasileira, publicou no mês passado uma lista contendo os guitarristas mais subestimados do mundo. E o Prince está lá!

E o que isso tem a ver com direito, com o mercado e com você?

Simples! Prince se dedicava inteiramente ao seu mercado, ao seu público, ao seu estilo, etc. Mas ele poderia ter ganho tanta notoriedade ou tanto dinheiro quanto, acaso tivesse explorado mais os seus dotes como guitarrista. Aliás, ele tinha tantos outros dotes, que ele poderia ter ganho notoriedade e dinheiro de várias outras formas. Na mesma matéria publicada pela Gibson, Sheryl Crow afirma que Prince tocava teclado como Chick Corea (inexoravelmente, o maior nome dentre os tecladistas do mundo), bem como tocava baixo como Larry Graham (outro nome mundialmente conhecido).

Temos visto cada vez mais empresas se dedicando tanto a um dado negócio e negligenciando totalmente outros tantos talentos que possui. Algumas empresas são capazes de criar produtos e serviços novos, tão somente para atender a uma necessidade que lhes foi específica, porém deixam de lucrar com a sua criação por ausência de patenteamento ou outras formas de proteção. Uma empresa não precisa mudar o foco do seu negócio para se dedicar à outro tão somente porque inovou ou criou algo. Basta que tal criação seja protegida e licenciada aos interessados à sua exploração e, assim, a criação rende ao criador lucros diretos.

Querem um exemplo? A Microsoft é a concorrente direta do Google (Alphabet) e este, por sua vez, é líder mundial no mercado de smartphones com o seu sistema operacional Android. Ocorre que a Microsoft patenteou algumas tecnologias incluídas no Android. Observem bem: a Microsoft não se dedica ao Android, até porque não é ela quem o desenvolve. Mas ela criou algo que o Google incorporou ao Android e, por isso, a Microsoft licenciou o uso dessas tecnologias, que são suas, para diversas empresas fabricantes de celulares. Resultado: segundo os executivos da Microsoft, a empresa já recebeu mais de US$ 4,5 bilhões em pagamentos pelo uso de patentes nos últimos 10 anos. Nada mal, hein?

E você acha que patentes e acordos só existem entre grandes empresas? Ledo engano. Não há limites, mínimo ou máximo, para se desenvolver produtos ou processos patenteáveis. A todo momento empresas criam ou inovam produtos, processos, serviços, etc. O problema é que não se tem, ao menos no Brasil, a cultura de se proteger e investir na proteção dos ativos intelectuais. Este é o desafio da inovação no Brasil: criar, proteger e vender tecnologia.

Um bom exemplo disso têm nos surpreendido em Lauro de Freitas. A cidade está virando referência na Bahia na produção de cervejas artesanais. Alguns desses cervejeiros desenvolveram maquinários próprios, com funções diferentes de quaisquer outros modelos disponíveis no mercado, bem como desenvolveram processo próprio de desenvolvimento da iguaria, dando-lhe características novas. Ou seja: esses cervejeiros, além do talento na produção da cerveja, possuem talento como inventores de máquinas destinadas à cervejaria, bem como novos processos para a produção da cerveja. Esses cervejeiros estão, para o mercado da cerveja, assim como o Prince estava para o mercado de guitarristas. Ou seja: possuem outro talento que pode ser extremamente lucrativo, mas estão dedicando-se somente à cerveja.

Será que vamos ter que ler uma matéria intitulada “os dez fabricantes de máquinas de cerveja mais subestimados do mundo?” para só assim  conscientizarmos os produtores de cerveja de Lauro de Freitas sobre a importância da proteção intelectual de seus inventos e inovações? Esperamos que não. Esperamos que esses cervejeiros despertem o interesse dos players mundiais da cerveja, não apenas pelo produto final em si (a cerveja), mas por toda a tecnologia que foi desenvolvida.

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